Gostei muito deste festival. Adorei o ambiente, o espaço, a dedicação do público, que não saía de frente do palco, mesmo quando a chuva se intensificava. Foi um Woodstock, versão minhota!
As bandas estiveram bem, na sua generalidade. Um cartaz completo que unia duas gerações musicais e que potenciava aquilo que, no fundo, todos nós queríamos: o divertimento.
As melhores actuações foram (em ordem cronológica de acontecimentos) as de
Broken Social Scene,
Morrissey,
Yeah Yeah Yeahs,
Bloc Party e
!!! (Chk Chk Chk). Haverá certamente quem não concorde. Mas o blog é meu, pelo que a minha opinião prevalece.
Segue-se o diário de ze_turkish em Paredes de Coura, capturando os principais momentos e descrevendo resumidamente as principais actuações do festival.
Dia 15 – Chegámos a meio da actuação dos
Gomez. A fome falou mais alto, pelo que fui comer um BigMac. Sobre a actuação em si, nada tenho a dizer. Sobre o hambúrguer, também não.
A seguir vieram os noruegueses,
Madrugada, banda que supostamente tem como principais influências Joy Division e The Velvet Underground (?!). Ainda não foi desta que uma banda escandinava me conseguiu convencer. Passados 20 minutos estava a comer o meu segundo hambúrguer da tarde.
A primeira grande actuação da noite pertenceu aos
Broken Social Scene, cujo rock frenético consegue aliar às guitarras distorcidas “à lá Sonic Youth” e aos elementos psicadélicos dos Sigur Ros e do rock progressivo dos anos 70, a componente quasi-melódica de Lemonheads, Dinosaur Jr ou Josh Rouse (pre-“1972”). Muito bom.
Finalmente chegou o que era, para mim, o momento mais aguardado do festival: a actuação de
Morrissey. O homem faz o que quer, tendo uma arrogância muito “rock n’ roll”, embora isto não esteja muito coerente com outros aspectos da sua personalidade (ao longo de grande parte da sua carreira, o chá e a leitura substituíram o álcool, as drogas e o sexo).
O “fazer o que quer” incluiu neste caso rechear o "set list" de temas do seu último álbum, "Ringleader of the Tormentors", em detrimento de alguns
hits que certamente fariam delirar as 22 mil pessoas presentes, perguntar ao público se este estava aborrecido, “brincar” com a participação de Portugal no Mundial e ainda abandonar o palco, terminando a sua actuação, a meio da última música (“Panic”, dos Smiths), deixando o público, bem como os membros da sua banda, perplexos. No entanto, bastou-me ouvir os primeiros acordes de “How soon is now?”, na abertura do concerto, para saber que aquele seria o ponto alto do festival para mim.
O clímax atingido durante o concerto de Morrissey, a chuva e os consequentes pés molhados da minha namorada, foram razões suficientes para darmos por terminada a noite. Sorry
Fischerspooner, vai ter que ficar para uma próxima ocasião.
Dia 16 – A primeira banda do dia que vimos foram os
Eagles of Death Metal. Rock n’ Roll puro e duro, com um vocalista – Jesse “The Devil” Hughes – divertidíssimo a fazer esquecer a ausência de Josh Homme, que ficou em casa a gravar o álbum novo dos Queens of the Stone Age. Rock On!
After that, os
Gang of Four não me conseguiram entusiasmar. Reconheço a qualidade da música, bem como a influência que esta terá exercido sobre bandas actuais como Franz Ferdinand, Radio 4 ou Bloc Party. No entanto, tudo tem o seu enquadramento. Se retirarmos à banda alguns dos elementos que a caracterizavam (energia, vitalidade, revolta, entre outros), o que é que resta? Quatro quarentões/cinquentões descoordenados, sem fôlego, nem estilo, a partirem um micro-ondas em palco de forma a convencerem o público (ou a eles próprios?) que ainda são jovens de espírito. A mim não me convenceram.
Os
Yeah Yeah Yeahs protagonizaram um dos momentos altos da noite, numa actuação electrizante, capaz de agarrar o (conhecedor) público, desde do início ao fim do espectáculo. “Y Control” foi brilhante. Foi pena o concerto apenas ter durado 45 minutos.
Seguidamente, os
Bloc Party foram responsáveis por aquilo que foi, na minha opinião, o melhor concerto da noite, bem como do festival. A nova banda “coqueluche” da Vodafone deixou mais de 20 mil pessoas em êxtase, tocando o grosso do seu álbum de estreia, “Silent Alarm”, apresentando ainda alguns temas do seu segundo álbum, actualmente a ser gravado. Salienta-se a simpatia, capacidade de comunicação e simplicidade de Kele Okekere, vocalista da banda. Brilhante.
Os
We are Scientists tiveram azar, tendo que tocar na ressaca de dois dos melhores concertos do festival. Ainda assim aguentaram-se qb. As constantes referências aos Bloc Party é que eram escusadas.
Dia 17 - Entrámos no recinto a meio da actuação dos
Maduros, novo projecto de Zé Pedro (Xutos & Pontapés). A versão dos Clash com que acabaram o concerto deixou-me arrepiado (no mau sentido). Don't give up your day job (Xutos), Zé Pedro.
Seguiu-se a actuação dos
!!! (Chk chk chk), que me surpreendeu pela positiva. Uma actuação "Happy Mondays style", embora mais agressiva e musicalmente rica. Nic Offer (vocalista), que ao longe (e depois de algumas cervejas) faz lembrar Jim Morrisson, é endiabrado, tendo uma presença formidável em palco, cantando, dançando, comunicando com o público e puxando pelo mesmo, de forma "non-stop" ao longo de toda a actuação. Prometeram voltar para o ano. Yuppie!
Os
The Cramps são velhos e parecem saídos duma festa de Halloween onde, sob o efeito de muitos ácidos, tocam versões "speedadas" de Rock anos 50. Eu achei a sua actuação decadente, mas reconheço que pertenço a uma minoria. Desisti a meio e fui comer uma tripa de Aveiro. Isso sim foi cool.
Os
Bauhaus tiveram azar com o tempo, já que choveu de forma intensa ao longo de boa parte da sua actuação. Mesmo assim, e considerando as avançadas horas, conseguiram segurar uma quantia considerável de espectadores. A actuação foi sólida, embora sem deslumbrar, mostrando que Peter Murphy e companhia continuam em forma.
The End!
Ps - Alguém leu isto até ao final? Se sim, avisem, e receberão em casa uma caixa de Oreos como prémio.