Friday, January 12, 2007

The Show Must Go On?

Os The Cure são (eram?) uma banda fantástica. A música introspectiva e gloomy (haverá melhor termo para a descrever?) que a banda produz há mais de 30(!) anos é única, verdadeiramente inconfundível (tal como é a voz do mentor e maestro da banda, Robert Smith) e exerceu uma forte influência sobre um número inquantificável de bandas - bandas estas catalogadas como pertencendo às mais diversas cenas musicais, entre elas a gótica, alternativa, ou mesmo a cena mainstream (a minha mãezinha adora o "Friday I'm In Love"...).
No entanto, parece-me que Robert Smith não soube nitidamente avaliar o timing adequado para "arrumar as botas" - altura esta que, na minha opinião, deveria ter ocorrido lá para os finais dos anos 90. Esta minha opinião tem como base, não tanto a apreciação dos seus mais recentes álbuns de estúdio (que nem são maus, embora sem deslumbrar), mas sim a forte deterioração na qualidade das actuações ao vivo da banda - notem que, infelizmente, nunca os vi ao vivo, mas os imagens que tenho apanhado no "youtube", bem como as críticas que tenho lido do DVD live lançado recentemente pela banda, indiciam crescentes níveis de degradação em palco, o que é uma pena, dado o nível icónico atingido pela banda em tempos.
Sei, contudo, que a altura certa para parar é uma questão não só sensível como também altamente subjectiva. Achei, por exemplo, deprimentes as actuações dos Gang of Four* e dos The Cramps em Paredes de Coura (especialmente no segundo caso), apesar da crítica ter sido geralmente boa. Por outro lado, adorei ver os New Order no SBSR há dois anos**, enquanto parte considerável do press discordou comigo. Ainda assim, há alguns casos em que o consenso reina. Casos em que os anos passam e o fulgor das bandas em palco (bem como em estúdio) se mantém integralmente intacto. Depeche Mode, Rolling Stones (apesar de eu os odiar) e Iggy Pop (estes só ao vivo) constituem alguns exemplos. Qual é o segredo destas bandas? Sinceramente, não sei.
A explicação não passa certamente pela coesão e amizade dos membros da banda, já que é sabido, por exemplo, que sempre existiu grande tensão entre Dave Gahan e Martin Gore, no seio dos Depeche Mode, cujas actuações são, geralmente falando, irrepreensíveis.
Não sei qual é a explicação, mas há que louvar as bandas que nascem(?) com estes atributos inatos. Cada uma destas bandas terá o seu combustível que lhe permite ir em frente, sem pensar em parar. Se calhar, no caso dos Depeche Mode, a tensão é precisamente o seu combustível.
Infelizmente, acho que, no caso dos The Cure, a gasolina chegou ao fim. Ainda por cima a meio da autoestrada.


*Os Gang of Four nem deveriam entrar nesta comparação porque eles voltaram à actividade com o propósito claro de ganhar uns trocos, enquanto os The Cure têm-se mantido sempre activos como banda (embora com naturais oscilações de intensidade).
**Escusavam era de ter gritado "Long Live Christopher Columbus!!!" quando entraram em palco. E, há que admitir, estavam (e estão) um bocado gordos!

5 Comments:

Anonymous rita said...

quanto aos Depeche Mode, a palavra é essa mesmo "irrepreensível" em palco. não há duvida alguma. Quanto aos The Cure, gosto muito do trabalho deles, mas unicamente referente aos álbuns, que tal como tu referiste, vão até 90... nunca os vi ao vivo, mas penso que os últimos álbuns nem deveriam ter existido. há alturas em que se deve parar, e os The Cure, provavelmente, ainda não perceberam que a altura deles pararem já chegou a muito tempo.

4:18 PM  
Anonymous Anonymous said...

Rita, não acredito!!!!!!
Je je!
Sinceramente, creo que si Robert Smith se hubiera retirado en los 90 nos hubiéramos perdido ese discazo que es "The Cure".
Por cierto, su concierto en el Fib no pasará a la Historia, pero ya querrían muchos "grupillos" del NME...
Y ya que estamos, a los Depeche alguien debería "repreenderlos" por acabar los conciertazos de su última gira con una baladita moñas... Habráse visto!

7:53 PM  
Anonymous rita said...

acho que tb fui repreendida:D

4:27 PM  
Blogger ze_turkish said...

Lol... Isto costuma ser um blog pacífico!
Eu até achei alguma piada à forma como os Depeche acabaram o concerto... Mas isso é a minha humilde opinião...
Em relação aos The Cure, realmente o álbum "The Cure" não é mau. Mas não chega para compensar o declíneo da banda nos últimos anos. Mas, mais uma vez, isso é apenas a minha opinião (e notem que os Cure são das minhas bandas preferidas!)

5:00 PM  
Anonymous Anonymous said...

eu adorei o concerto dos DM no atlântico... mas também é a minha humilde opinião! mas nuestro hermano n concorda:D
e o "The Cure" não chega mesmo para compensar, é que apesar de The Cure também ser uma das minhas fav bands, estes últimos álbuns estão mesmo muito aquém do que eles já fizeram.... e o Sr. Smith já não é o Sr. que era... não é não...

8:46 PM  

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