Wednesday, February 21, 2007

Bloc Party - "A Weekend In The City"


Tenho que confessar uma coisa (isto não vai ser fácil, mas vou dizê-lo): Ao contrário da generalidade da crítica musical (sendo a NME uma das excepções), gosto bastante de “A Weekend In The City”, o novo álbum dos south londoners, Bloc Party. Se o álbum é mais mainstream do que o anterior? (“Silent Alarm”) Sim, definitivamente. Se acho que essa mainstreamização foi um passo em falso, como afirma Davide Pinheiro no Disco Digital? Não. Se concordo com Davide Pinheiro quando ele diz que o álbum foi “concebido partindo da necessidade de inspiração no R&B norte-americano (Beyoncé ou Amerie)”? Nem vale a pena responder.

Há tempos, li um artigo muito interessante (na NME creio) acerca dos The Good The Bad & The Queen, em que o autor comentava a ausência de “sentimento” nos anteriores projectos musicais de Damon Albarn, alegando que este sabia produzir música de elevadíssima qualidade, mas que, anteriormente a este projecto, não sabia produzir temas que nos fizessem querer “Live Forever” (sim, a comparação foi óbvia, mas bem sucedida). Penso que, no caso dos Bloc Party, houve uma injecção desse tal “sentimento” na sua música. O que eu acharia potencialmente preocupante, para uma banda desta natureza, não fosse a música deles continuar a dar-me vontade de bater o pé enquanto a oiço – muito por culpa da sua cativante componente rítmica (o baterista e o baixista, juntos, fazem maravilhas). Gosto da mais intensa componente melódica que a banda introduziu. Gosto de quase todas as músicas (“Song For Clay (Disappear Here)” é um verdadeiro hino), gosto da capa e do “conceito” do álbum, gosto da componente “agridoce”, que advém da mescla entre melodias polidas e letras mais agrestes (sendo a cidade de Londres recorrentemente visada). Kele Okereke manda, inclusivamente, vários “Fuck You”s à imprensa inglesa (o que é sempre bom), que deve ter ficado em pulos com as letras de “I still remember” (reforçando as dúvidas existentes acerca da sua orientação sexual – Morrissey style).

Kele Okereke parece, julgando pelas suas letras, nunca estar satisfeito. Mas eu fiquei satisfeito com esta compra, claramente merecedora dos 15 € que gastei. Coliseu dos Recreios, here I come.

2 Comments:

Blogger JAAS said...

li o post e fiquei contente de encontrar alguém que partilha a minha opinião positiva sobre este álbum. ouvi o disco de estreia há uns tempos mas fiquei um pouco dividido, porque não percebi imediatamente todo o falatório que o rodeava. mesmo assim, ouvi certas coisas de que gostei, por isso dei também uma chance a este Weekend in the City, e a minha perspectiva mudou completamente.

a primeira parte do disco agarrou-me à primeira e não se perdeu o sentimento no resto do álbum. gosto também, como referiste, não só da música mas da atmosfera que a rodeia, a capa, a temática, etc.

e também já tenho o meu bilhete para o coliseu. dia 18 lá estou. =)

3:56 PM  
Blogger ze_turkish said...

Já só restam 600 e tal bilhetes... Pelo que deve esgotar! O concerto deles em Paredes de Coura (2006) foi brilhante. A ver se mantêm o nível...

4:19 PM  

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